O BARCO
No barco existe uma neblina, dizia uma voz doce e suave. Todos os dias ouviam-se sinais de pegadas leves, ninguém sabia ao certo quem passou por ali. Dia 22/ 01/1990 uma carta aberta, constitui-se a todos que queiram ouvir. Assim, todos estavam com ouvidos atentos, olhares surpresos de que se tratava, o que ele queria dizer? _São duas da manhã e o vento sopra a cortina com força._ Ela já estava impaciente, queria saber todos os detalhes, no entanto, aquela não era mais sua intenção? Será que realmente estava tão curiosa a ponto de perde à noite em claro.
Sobe uma fumaça e some como uma nuvem, repito são duas da manhã. O cheiro está forte, barulhos altos, sirenes tocantes profundamente. Alguém acordou. Foi um sinal. Estavam todos dormindo mesmo acordados, não estavam compreendendo todos os sinais, a fumaça, as sirenes, os olhares, os medos, os ouvidos, uma ruptura de repente corta, sai cortando. Mas também doí é um corte profundo, todos os dias o apaixonamento é diferente. São duas da manhã. E a carta de que se trata? Trata-se de um tratado de cada um para si mesmo, digo, laços, dores, harmonia, desarmonia, a sirene toca novamente. E a carta? É um aviso…
Escuta sem escutar, fala sem falar, ver sem saber, o cinza é uma cor meio opaca, a beleza está em significados de cada parte de um todo minúsculo de um ser, a sanfona tem sua sintonia, a gaita tem diferente, o som do violão, do piano, de todos os órgãos da orquestra faz e traz uma percepção ao ouvinte distinta, os olhares têm um sentido tão profundo, que nada ultrapassa além do volume. Quero dizer, muitas vezes os olhos gritam só é preciso um pouco de atenção aos olhares múltiplos por aí.
Autora, MARIA MATILDE.